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Cinema: Horrores em Ilhas Britânicas – Eden Lake e In Fear

Recentemente vi dois filmes originários das Ilhas Britânicas que abordam a temática dos horror movies de uma forma tipicamente britânica. Todos sabemos que o humor britânico tem o seu selo próprio e é assim reconhecido. Ora, eu considero que o terror britânico também tem um cunho especial pelo qual pode ser reconhecido.

Neste tipo de filmes – horror movies britânicos –, por regra não há monstros, ETs ou fantasmas. O espetador fica colado (o mais que pode) ao assento e estremece com arrepios e suores frios pela forma como o terror lhe é apresentado. Tratam-se de histórias em que o demónio é o próprio ser humano na sua relação consigo e com os outros, em que o terror se expressa pelos sentimentos mais angustiantes e psicóticos.

 

Eden Lake, filme britânicocom Michael Fassbender (sim, o Magneto de X-Men Days of Future Past) é uma espécie de retrato exagerado – ou será que está mesmo próximo da realidade? Prefiro acreditar que não! – da crueldade das crianças e adolescentes (e outra coisa que não vou revelar, pois destruiria a revolta que se sente no final). Neste filme, Fassbender e a sua namorada vão acampar para um lago com paisagem paradisíaca, mas rapidamente se encontram na companhia de um grupo de adolescentes incómodos, rebeldes e desrespeitosos. A discórdia instala-se entre o casal e o grupo, começando, assim, um jogo de tortura e perseguição de violência extrema e luta pela sobrevivência. Fiquei chocado com vários dos episódios de violência levados a cabo pelo grupo de adolescentes e identifiquei-me com o desespero do casal na sua tentativa de sobrevivência, que a cada minuto passado ganhava uma maior incerteza.   

O outro filme, desta feita irlandês, é In Fear e conta com a participação de Ian de Caestecker (o Fitz da série Agents of S.H.I.E.L.D.). Mais uma vez, temos um casal como protagonistas do filme. Este casal resolve ir a um festival de música em terras remotas da Irlanda e reserva um quarto num hotel. Contudo, o hotel está localizado no meio de uma assustadora floresta labiríntica. Vou ser spoiller e avançar que o casal não encontra o hotel e todo o filme tem como cenário a floresta e o carro, sendo que, mais do que a performance dos atores, é o trabalho e técnica da realização, filmagem e tudo o resto, que torna este filme numa peça fantástica.

Com o passar das horas, também eu comecei a sentir o desespero do casal. E, ao escurecer, o ambiente torna-se ainda mais assustador e claustrofóbico. Começamos a ter a certeza de que alguém trocou as placas informativas, de que alguém os está a vigiar e, até mesmo, de que alguém os está a “caçar”. Este é um horror movie extremamente psicológico que nos faz sentir o desespero, a angústia, as dúvidas e o medo dos protagonistas.

 

Para quem até gosta do género (horror movies), mas não suporta as teorias rebuscadas de monstros, fantasmas e ETs, este filmes são fantásticos.

 

Opinadela: Civismo na Estrada – Carros vs Motos

Desde junho de 2013 que sou um orgulhoso proprietário e condutor de uma LML Star 125 (o mesmo que uma Vespa PX). Adoro todas as sensações que me proporciona, seja o sentido de liberdade, a brisa fresca que sabe tão bem nos dias de muito calor, ou o vento gelado que corta a pele.

Hoje resolvo opinar sobre o civismo na estrada, mas apenas numa pequena parte – Carros vs Motos – pois, caso contrário, esta graforreia seria interminável.

Na verdade, não percebo – mas é que não percebo mesmo – o porquê de tanta falta de civismo dos condutores de carros (e veículos afins) para com os motociclistas. Desde que conduzo a minha motinha que reparo que:

  1. Teimam em estacionar carros em lugares reservados a motociclos – se calhar preferem que estacionemos em cima dos passeios atrapalhando a circulação de peões. Eu dou sempre preferência por estacionar em lugares destinados a motociclos e, não existindo, procuro sempre um espacinho entre lugares de estacionamento ou na berma da via, sem atrapalhar a circulação dos outros veículos e dos peões.
  2. Quando estão parados nos semáforos ou nas filas de trânsito – principalmente em horas de ponta – tendem a encostar-se o máximo possível à esquerda para impedir a passagem dos motociclos. Esta situação ultrapassa-me. Quem não sabe fica a saber que as motas têm um arranque mais rápido do que os carros, pelo que em nada impedem a rápida circulação dos mesmos. Não vejo qual é o problema em permitirem que as motas ocupem o primeiro lugar nos semáforos. Além disso, os motociclos são veículos estreitos, o que é uma vantagem que lhes permite ultrapassar filas de trânsito sem contribuírem para que se acumulem cada vez mais veículos. Não vai ser por causa da ultrapassagem de uma mota que a fila se resolverá de forma mais lenta.
  3. Convém ter receio quando circulamos numa via com carros estacionados na berma, pois os condutores e passageiros não têm qualquer pudor em abrir abruptamente as portas no preciso momento em que o motociclo está a passar por eles.
  4. A maior parte dos condutores não sabe ultrapassar um motociclo e, se não abrandamos, somos abalroados. Parece uma espécie de “chega-te p’ra lá”.
  5. Quando circulamos dentro dos limites de velocidade, no meio da faixa – por receio das portas que se abrem subitamente do lado direito ou pelas ultrapassagens “chega-te p’ra lá” do lado esquerdo – há sempre um condutor de carro que se coloca à nossa traseira na esperança de nos empurrar (pelo menos é o que depreendo de tal atitude).

Existem mais situações deste género, mas estas são – para mim – as mais berrantes. E sim! Os motociclistas também demonstram desrespeito pelos outros condutores e pelos peões, ao estacionarem indevidamente, ao circularem em alta velocidade e outras tantas infrações.

 É por estas e por outras, que penso se não seria viável podermos reportar, através de imagens, estas infrações às autoridades competentes para respetiva autuação.

Conto: A sereia urbana

O sol brilhava sobre a sua pele morena, percorrendo-lhe ardentemente cada parte do corpo que não estava coberta pelo minúsculo bikini.

Deitada sobre a tolha azul céu, de óculos de sol e olhos fechados, relaxava ouvindo os sons que a rodeavam. Adorava chegar à praia assim, bem cedo, quando o areal ainda estava deserto e do mar era emanado aquele aroma típico da maresia.

À medida que o tempo passava, o areal enchia de para-ventos, guarda-sóis plantados quais cogumelos e barracas de praia para albergar toda a família. Começava a sentir-se a habitual nortada – tão típica das praias do Porto. E o som do mar – apesar de se encontrar em crescente aumento preparando-se para a preia-mar – era suplantado pelo barulho das crianças a brincar e das velhas a coscuvilhar, revelando a vida dos seus conhecidos a todos os banhistas.

Uma bola de ténis de praia aterrou mesmo ao lado da sua toalha, mas ela não se mexeu. Sentiu a areia a mover-se perto sob as passadas de uma criança obesa que corria com dificuldade. Deixou-se inerte. Sentiu a respiração ofegante e o calor corporal a aproximar-se da toalha e, em poucos segundos, a afastar-se novamente.

Tinha estendido a toalha mesmo junto à linha do mar. Como a bandeira estava vermelha, apenas passava de vez em quando uma ou outra pessoa a caminhar sobre a areia molhada, e os pais evitavam que os filhos se aproximassem com medo da força da maré. Desta forma, ela estava mais isolada.

Com o aproximar do apogeu da preia-mar as ondas estavam mais atrevidas e invadiam progressivamente o areal. E aumentavam a força e o ruído da rebentação.

Sentiu passos a aproximarem-se, levantando grãos de areia na sua direção.

- “Menina, desculpe.” – Ela não se mexeu.

- “Menina” – insistiu a voz de um homem – “a maré está a encher. Daqui a nada apanha-a desprevenida.” 

 

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